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A Crise na Famíilia de Jacó
A Crise na Famíilia de Jacó

A CRISE NA FAMÍLIA DE JACÓ

 

 

A HISTÓRIA DE JACÓ

 

          Jacó sempre foi aproveitador. Até mesmo do trabalho de parto de seu irmão se aproveitou, pois nasceu “segurando o calcanhar”. A sequência de sua vida não foi diferente disso, pois aproveitou do cansaço e esgotamento de seu irmão Esaú que retornava de uma caçada, para persuadi-lo a vender seus direitos de herança por um simples prato de lentilhas. Nem mesmo a velhice de seu pai o intimidou; Jacó aproveitou que os olhos do velho Isaque já não eram bons e se passou por seu irmão gêmeo para receber a bênção que cabia a este.

          Os resultados na vida de Jacó não podiam ser piores: teve de fugir da ira de seu irmão; perdeu contato com os pais; precisou abandonar a estabilidade da casa paterna para se aventurar em terras estranhas e perigosas; perdeu toda a herança pela qual havia se esforçado em enganar.

 

          Deus tinha uma promessa na vida de Jacó. Ele não precisava fazer artimanhas para ser abençoado pelo pai. Porém, Jacó considerou o tempo um inimigo; esperar pela bênção de Deus parecia muito difícil.

          Na sociedade atual, nosso meio de vida corrido, as facilidades da era tecnológica, esperar é algo inaceitável. Investimentos de longo prazo são evitados e tudo tem que acontecer da forma mais rápida o possível.

 

 

DEUS E O TEMPO

          Com Deus não é assim. Ele é o dono do tempo e está além das eras. Deus sabe o momento certo para tudo e nós, como seus filhos, precisamos aprender a esperar o tempo dele em nossas vidas. Esse tempo pode ser para ganharmos experiências, para crescermos, para maturarmos, enfim. Deus sabe o ponto certo de cada um de nós.

          Assim, sejamos tardios para a ira, para falar, para tomar decisões; Salomão, em sua sabedoria, disse que a palavra dita na hora certa é como maçãs de ouro em salvas de prata Pv 25.11.

          Não sejamos precipitados; aprendamos a esperar no Senhor.

 

O ENCONTRO ENTRE JACÓ E DEUS

          Sozinho e com um pedaço de madeira em sua mão, Jacó seguiu errante para Padã-Arã, terra de seus ancestrais. No caminho, deitou-se para dormir e, colocando a cabeça sobre uma pedra, teve uma visão de Deus. Nesta, o Senhor renova para Jacó as promessas feitas a Abrão, seu avô e a Isaque, seu Pai. Promessas de uma vida próspera e abençoada, além de ser um marco para toda a humanidade, pois hoje sabemos que, de sua descendência nasceu o salvador.

          Ao acordar, Jacó faz um voto com Deus pedindo proteção e mantimento para o caminho. Mal sabia que deus tinha muito mais do que isso. Mas antes, Jacó precisava deixar de ser quem era.

          Deus tem um chamado em nossas vidas; se estamos em sua casa, é porque ele nos escolheu e vocacionou para isto. Esta verdade é muito reconfortante, pois se dependesse de nós, seria uma vocação instável e oscilante; mas, oriunda de Deus, nossa vocação é perfeita e eterna.

 

A MATURAÇÃO DE JACÓ

          Depois de conhecer sua esposa – ou, como costume da época, suas esposas – Jacó passou por um processo de transformação de seu caráter. Durante 20 anos, foi enganado por seu sogro Labão, desde a cerimônia de seu casamento até os detalhes de sua remuneração. Porém, o caráter de Jacó mudou, assim como suas posses. Ao passo que era enganado, o homem enriquecia. Tudo no que tocava prosperava. Além disso, suas provas trouxeram mudança ao seu caráter, e Jacó se tornou um homem de Deus.

            Todo cristão precisa de um período para maturação. Quando chamados, somos limitados, pecadores e, na verdade, sempre o seremos; porém, o mesmo Deus que nos chama nos capacita e nos molda. Segundo Paulo, fomos chamados para sermos parecidos com Cristo e isso não acontece da noite para o dia, mas é necessário um processo de maturação. Tornamos-nos parecidos com Cristo através da Palavra de Deus, da comunhão com seu Espírito, da ajuda da igreja e seus ministérios, mas acima de tudo, nos tornamos a imagem de Cristo através das provações. Cada lágrima, cada dor, cada luta é uma forma de Deus nos moldar à sua eterna e soberana vontade.

 

A NOVA VIDA DE JACÓ

            Vinte anos depois, Jacó retorna pelo mesmo caminho. Não mais com uma vara e uma pedra, mas tão próspero que pôde oferecer metade de sua riqueza ao seu irmão, sem comprometer esta riqueza.

            No vau do Jaboque, Jacó tem um encontro decisivo com Deus e, com a mudança de seu nome, veio a confirmação de sua nova vida.

 

JACÓ E SUA FAMÍLIA

            Uma vez convertido e transformado, todas as provas e perseguições acabem, correto? Errado. Jacó cometeu erros tristes em sua vida. Não dedicou educação cristã para os seus e sua família entrou em decadência. Sua mulher cometeu idolatria e furto. Sua filha Diná foi vítima de um estupro, aliciada por um homem chamado Siquém. Seus filhos mais velhos, Rúben e Simeão, em prol de vingarem o estupro da irmã, mataram a fio de espada todos os homens da família de Siquém e Levi, seu terceiro filho, teve uma relação incestuosa com a própria madrasta. Este foi o preço que Jacó pagou por não educar sua família em Cristo. Esposa ladra e idólatra, filha estuprada, dois filhos assassinos e um filho incestuoso. O que mais estava por vir?

            Devemos dedicar tempo à nossa casa. É evidente que precisamos trabalhar para dar uma vida melhor aos nossos. Precisamos estudar, precisamos cultuar, precisamos nos divertir.  Mas, antes de tudo, precisamos dedicar tempo às nossas famílias. De todos os bens que podemos dar aos nossos filhos, talvez o tempo seja o mais importante. Esta é a razão pela qual muitos servos de Deus perdem seus filhos para o mundo, maculam seu casamento e entram em decadência familiar: educação cristã e tempo para os seus.

            Agora, Deus chama Jacó para tomar uma atitude e mudar sua realidade:

 

Gênesis 35.1-7

Deus disse a Jacó: "Suba a Betel e se estabeleça lá, e faça um altar ao Deus que lhe apareceu quando você fugia do seu irmão Esaú".

Disse, pois, Jacó aos de sua casa e a todos os que estavam com ele: “Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa”.

Venham! “Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da minha angústia e que tem estado comigo por onde tenho andado”.

Então entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que usavam nas orelhas, e Jacó os enterrou ao pé da grande árvore, próximo a Siquém.

Quando eles partiram, o terror de Deus caiu de tal maneira sobre as cidades ao redor que ninguém ousou perseguir os filhos de Jacó.

Jacó e todos os que com ele estavam chegaram a Luz, que é Betel, na terra de Canaã.

Nesse lugar construiu um altar e lhe deu o nome de El-Betel, porque ali Deus havia se revelado a ele, quando fugia do seu irmão.

 

            Neste trecho, encontraremos Jacó sendo convidado por Deus para uma atitude que poderia mudar o que ele estava vivendo. Vamos analisar os conselhos que Deus dá e as atitudes de Jacó que poderiam mudar seu quadro de decadência familiar:

 

Deus manda Jacó para subir a Betel

            Uma razoável distância havia entre os arredores do monte Hermon e Betel e, com tantos filhos, seria uma viagem penosa. Ainda assim, Deus convida Jacó a abandonar seu status quo, sua zona de conforto e tomar uma atitude.

            Às vezes, estamos esperando que alguma coisa mude em nossas vidas, mas não estamos dispostos a abrir mão de nada, a mudar nada. Se quisermos colher algum fruto diferente, precisamos plantar sementes diferentes também.

            Betel significa “casa de Deus”. O convite de Deus não apenas para sair correndo e ganhar o mundo, como nos livros de autoajuda e sugestão psicológica. Deus tem um ponto de encontro com Jacó. Se ele quer mudar sua realidade, precisa ir até a casa de Deus.

            Para reconstruir as estruturas de nossos lares, precisamos estar na igreja, o lugar que Deus escolheu para cuidar e aperfeiçoar o seu povo até que cristo volte para buscar os salvos.

 

Deus manda Jacó habitar em Betel

            Jacó não deveria apenas visitar a casa de Deus, mas fazer ali a sua morada, estabelecer-se.

            A igreja de Cristo não tem lugar para plateia, para auditório. Todos os crentes são parte integrante do culto e devem estabelecer um compromisso com a comunidade da qual fazem parte.

 

Deus manda Jacó construir um altar

            O altar era usado para oferecer os sacrifícios a Deus; o lugar onde o homem entregava-se a Deus e este o recebia; o altar era um lugar de encontro com Deus. Quando deus manda Jacó construir um altar é o mesmo que dizer “reconstrua sua devoção a mim” “reconstrua seu coração para entregá-lo a mim”, ”reconstrua seu relacionamento comigo”.

            Para que nossa família seja reconstruída, precisamos de um relacionamento vertical, íntimo, particular com Deus, pois como disse Jesus: “sem mim, nada podereis fazer”.

 

Jacó aceita a palavra de Deus

            Jacó não coloca uma única objeção à palavra que ouviu. Reconhece seu estado decadente e sua dependência de Deus.

            Nos dias atuais, somos acostumados a questionar. Questionamos os professores na escola, o patrão na empresa, o educador da escola Bíblica, o pastor. Mas para que vivamos as promessas do Senhor, sua palavra absoluta deve ser recebida com prontidão para cumpri-la (1Ts 2.13).

 

Jacó conversa com a família

            A comunicação é fundamental em qualquer grupo social e, na família, ainda mais. Jacó não tomou decisões precipitadas nem foi negligente com o que é correto, mas comunicou à sua família imediatamente: purifiquem-se e mudem de roupas.

            A santificação é uma meta que não alcançaremos plenamente nesta vida, mas que devemos buscar todos os dias. Deus não espera que sejamos perfeitos, mas que lutemos por uma vida digna de nossa vocação (Ef 4.1)

            A mudança de roupas tinha um sentido ritual nos tempo veterotestamentários, que tipifica a mudança de atitude. Precisamos mudar nossa atitude perante deus se quisermos colher suas promessas e ter nossas casas abençoadas em sua presença.

 

A família apoia Jacó

            Nenhum pai ou mão pode fazer isso sozinho. A família precisa estar unidade nos propósitos espirituais,

 

RESULTADO

            Antes mesmo que Jacó chegasse a Betel, o terror divino se apoderou daqueles que tencionavam algum mal contra Jacó e sua casa, de modo que Deus trouxe paz a uma casa que vivia em guerra, tristeza e decadência.